“Não temos ideia de como será a próxima safra. Muitas vinhas ainda estão submersas, algumas foram arrastadas por deslizamentos de terra, outras ainda estão inacessíveis devido a estradas bloqueadas.” Esta conta, de Patrícia Binz, diretora de marketing da Associação Brasileira de Sommeliers do Rio Grande do Sul (ABS-RS), não é uma leitura promissora para a indústria vinícola do país.

Por mais de duas semanas, o estado brasileiro mais meridional do Rio Grande do Sul tem sofrido uma catástrofe, com os níveis mais altos dos rios causando inundações e destruição em vários municípios, incluindo a capital Porto Alegre. Na tarde de quarta-feira, havia 149 mortes registradas no estado, 108 ainda estão desaparecidos e mais de 600 mil pessoas foram forçadas a deixar suas casas.

O Rio Grande do Sul é, entre outras coisas, a região vinícola do Brasil. Localizado na fronteira com os produtores de vinho Argentina e Uruguai, o estado representa 90% da produção total de vinho tranquilo do país e 85% de vinho espumante.

No Rio Grande do Sul, a principal região vinícola é a Serra Gaúcha, responsável pela maior parte da produção nacional. Os blends de vinhos tintos à base de Merlot produzidos nas colinas do Vale dos Vinhedos (Vale dos Vinhedos, a primeira indicação geográfica protegida para vinho do Brasil) são altamente valorizados em todo o país e também têm sido apreciados no exterior, mas a extensão dos danos causados ​​por destas inundações ainda não foi totalmente calculada.

Na verdade, Binz explica que o problema que os vinhedos da Serra Gaúcha enfrentam são menos as enchentes em si, e mais a erosão e os deslizamentos de terra que a imensa quantidade de chuvas na região tem causado.

A grande maioria das vinhas da Serra Gaúcha para vinhos finos está localizada em altitudes mais elevadas, plantadas em encostas com solo rico em argila – embora isso ajude a formar o estilo de vinho distinto da região, a má drenagem e o alagamento típico de solos ricos em argila também aumentam a risco de erosão.

A agência de promoção do desenvolvimento rural Emater estima a destruição de pelo menos 500 hectares de videiras no Rio Grande do Sul em decorrência de chuvas, enchentes e deslizamentos de terra — embora…

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