Em ao menos em duas graças, as propinas foram usadas para pagar serviços na fazenda e na casa do vereador

De camiseta vermelha, Carmo Name, que já foi dono de lava jato, limpa avião. (Foto: Redes Sociais)

Carmo Name Júnior, 38 anos, indicado pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul como “assessor direto” do vereador de Campo Grande, Cláudio Jordão de Almeida Serra, o Claudinho Serra na época em que ele era secretário de fazenda de Sidrolândia, foi um dos Alvos da terceira fase da Operação Tromper realizada hoje na cidade vizinha e também na Capital. Ele é da família Name, foco da Operação Omertà, de 2018. Não há informações confirmadas do grau de parentesco, mas ele seria primo de Jamil e Jamilson Name. Como avaliador de Serra, fez pagamentos de dívidas particulares dele ou serviços realizados nas propriedades particulares do chefe com recurso público.

A investigação do Gecoc (Grupo Especial de Combate à Corrupção) acordou que ao menos em dois benefícios, propinas foram usadas para pagar serviços na fazenda e na casa do vereador. Em 3 de janeiro do ano passado, Carmo Name Júnior enviou mensagens ao ex-servidor de Sidrolândia, Tiago Basso (alvo de outras duas fases da Tromper), questionou sobre fornecedor de gerador de energia elétrica, e ele disse que a demanda já estaria sendo enviada providenciada.

“Na sequência, Carmo Name menciona que o gerador seria para atender necessidades particulares de Cláudio Serra Filho em sua propriedade rural”, ao que o pedido de prisão, busca e apreensão relatada por Gecoc e 3ª Promotoria de Justiça de Sidrolândia, completa que ao ser confirmou que o equipamento era para a fazenda do então secretário de fazenda de Sidrolândia, “Carmo Name envia captura de tela da conversa com o então secretário”.

Print de denúncia do MP mostra conversa de Caludinho Serra com Carmo Name.  (Foto: processo de reprodução)
Print de denúncia do MP mostra conversa de Caludinho Serra com Carmo Name. (Foto: processo de reprodução)

Dias depois, em 26 de janeiro, novas mensagens mostram nota de ordem de serviço sobre locação de caminhão munck para transporte de Sidrolândia para Anastácio, uma caixa d’água e o gerador. O serviço custou R$ 1.778,00 em relação ao caminhão e R$ 1.470,00 em relação ao gerador.

O pagamento foi feito em fevereiro do ano passado, e conforme Gecoc “há uma comprovação inequívoca do pagamento de vantagem indevida em benefício do então secretário Cláudio Serra Filho, utilizando-se de terceiras pessoas (ocultação), feito pelo empresário Ricardo Rocamora, o qual enviamos três comprovantes de transferências bancárias, constatando-se que tais remessas se referiam a despesas/custos que atenderam às necessidades particulares de Cláudio Serra Filho”.

Em outro uso indevido de dinheiro público no pagamento de propina para serviços particulares de Serra, o Gecoc acordos que Name envia mensagens a Tiago Basso “para que o servidor agilizasse, por meio da empresa contratada pelo Município (empresa Rocamora), a manutenção de aparelho (s) de ar condicionado na residência de Cláudio Serra Júnior”.

Basso encaminha mensagens para Ricardo Rocamora pedindo equipe para prestar serviços na casa de Serra Filho, e enfatizo que o serviço seria acompanhado por Name Júnior. Rocamora questiona sobre qual licitação fraudulenta foi emitida como notas de compromisso em favor de sua empresa e é informado que poderia ser o contrato referente à manutenção do cemitério da cidade, cuja empresa responsável era a JL Serviços Empresariais e Comércio Alimentício Ltda, também parte do esquema de corrupção.

No dia seguinte, 11 de maio de 2023, a manutenção dos aparelhos na casa de Serra foi feita e Basso envia a Rocamora uma nota de compromisso falsificada, como tendo sido feito serviço à Prefeitura de Sidrolândia, mas que na verdade havia sido realizado na casa do ex-secretário de fazenda da cidade. O valor da nota é de R$ 8 mil.

Nota de envolvimento fraudulento.  (Foto: processo de reprodução)
Nota de envolvimento fraudulento. (Foto: processo de reprodução)

“Diante do exposto, tem-se clara a vantagem indevida percebida pelo agente público Cláudio Jordão de Almeida Serra Filho; e a falsificação de documento público por ele dolosamente realizado, a fim de “pagar” o empresário já comprometido com os esquemas ilícitos de corrupção”, evidencia o relato do Gecoc.

Carmo – O vínculo de Carmo Name com a Prefeitura de Sidrolândia durou de fevereiro de 2022 a julho de 2023. Ele recebeu R$ 3,2 mil como motorista do gabinete do Paço Municipal. O período de “bate” com o de Claudinho Serra à frente da Secretaria Municipal de Fazenda, Tributação e Gestão Estratégica de Sidrolândia, que durou entre janeiro de 2022 e maio de 2023, quando passou a vereança em Campo Grande.

Há ainda em nome dele, o Lava Jato do Turquinho, com página no Instagram com publicações ativas entre janeiro e junho de 2021. O empreendimento estava localizado no bairro Santo Antônio e em imagem postada, Carmo Name aparece lavando até avião.

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