Presidente da Câmara, vereador Carlão, disse que já assinou a exoneração do assessor de Claudinho Serra

Presidente da Câmara Municipal de Campo Grande, Carlos Augusto Borges, o Carlão (PSB) em uma das sessões. (Foto: Izaías Medeiros/Câmara Municipal)

Carmo Name Júnior, de 38 anos, assessor do vereador Claudinho Serra (PSDB), será exonerado, segundo o presidente da Câmara Municipal de Campo Grande, vereador Carlão (PSB). Nome, Claudinho e outros seis investigados por fraude em contratos milionários da Prefeitura de Sidrolândia, foram presos nesta quarta-feira (3) durante a Operação Tromper.

Name Júnior é assessor de Claudinho Serra desde a época em que ele atuava como secretário da Fazenda de Sidrolândia. A investigação aponta que, como assessor, fez pagamentos de cunho pessoal do então secretário utilizando palavra pública.

Ao Notícias Campo Grande, Carlão explicou que a exoneração deverá ser publicada no Diário do Legislativo até esta sexta-feira (5). Apesar de a reportagem não ter encontrado o nome de Carmo no portal da transparência da Câmara, o presidente da casa de leis garantiu que atuou como assessor de Claudinho. “Foi exonerado já, porque está preso e não tem como ele trabalhar preso”, disse o parlamentar.

Além da atuação na Câmara, Carmo Name foi nomeado em 2021 para compor equipe da Funesp (Fundação Municipal de Esporte), onde ficou por um ano como “gestor de processo”, sendo exonerado em fevereiro de 2022.

Prisão – Carmo Name Júnior foi preso em casa, no Jardim Aeroporto, em Campo Grande, nesta quarta-feira (3). No imóvel, os policiais encontraram diversos materiais de interesse da investigação de “possíveis delitos”. Carmo é da família Name, foco da Operação Omertà, de 2018.

Carmo Name, investigado por fraude em contratos da prefeitura.  (Foto: Arquivo/Campo Grande News)
Carmo Name, investigado por fraude em contratos da prefeitura. (Foto: Arquivo/Campo Grande News)

Fraude – A investigação do Gecoc (Grupo Especial de Combate à Corrupção) acordou que, ao menos em dois benefícios, propinas foram usadas para pagar serviços na fazenda e na casa do vereador Claudinho Serra.

Em 3 de janeiro do ano passado, Carmo Name Júnior enviou mensagens ao ex-servidor de Sidrolândia, Tiago Basso (alvo de outras duas fases da Tromper), questionou sobre fornecedor de gerador de energia elétrica, e ele disse que a demanda já estaria sendo enviada providenciada. “Na sequência, Carmo Name menciona que o gerador seria para atender necessidades particulares de Cláudio Serra Filho em sua propriedade rural”.

Em outro uso indevido de dinheiro público no pagamento de propina para serviços particulares de Serra, o Gecoc acordos que Name envia mensagens a Tiago Basso “para que o servidor agilizasse, por meio da empresa contratada pelo município (empresa Rocamora), a manutenção de aparelho (s) de ar condicionado na residência de Cláudio Serra Júnior”.

Basso encaminha mensagens para Ricardo Rocamora pedindo equipe para prestar serviços na casa de Serra Filho e enfatizo que o serviço seria acompanhado por Name Júnior. Rocamora questiona sobre qual licitação fraudulenta foi emitida como notas de compromisso em favor de sua empresa e é informado que poderia ser o contrato referente à manutenção do cemitério da cidade, cuja empresa responsável era a JL Serviços Empresariais e Comércio Alimentício Ltda, também parte do esquema de corrupção.

O vínculo de Carmo Name com a Prefeitura de Sidrolândia durou de fevereiro de 2022 a julho de 2023. Ele recebeu R$ 3,2 mil como motorista do gabinete do Paço Municipal. O período de “bate” com o de Claudinho Serra à frente da Secretaria Municipal de Fazenda, Tributação e Gestão Estratégica de Sidrolândia, que durou entre janeiro de 2022 e maio de 2023, quando assumiu como vereador em Campo Grande.

Há ainda em nome dele a Lava Jato do Turquinho, com página no Instagram com publicações ativas entre janeiro e junho de 2021. O empreendimento estava localizado no bairro Santo Antônio e em imagem postada, Carmo Name aparece lavando até avião.

Entenda – Carmo Name, o vereador Claudinho Serra e outras seis pessoas foram presos na ação contra fraudes em licitações da prefeitura de Sidrolândia. Todos são investigados por crimes de fraude em procedimento licitatório, falsidade ideológica, associação criminosa, sonegação fiscal e peculato.

A investigação apontou que a quadrilha criou empresas ou utilizou pessoas jurídicas já existentes para participação conjunta nos mesmos processos licitatórios “(…) sem, contudo, apresentarem qualquer tipo de experiência, estrutura e capacidade técnica para a execução dos serviços ou fornecida dos bens contratados com o ente municipal”.

A organização criminosa era composta por dois núcleos. O primeiro chefiado por Claudinho Serra, tendo como membros servidores públicos. Já o segundo tinha como líderes Ueverton da Silva Macedo, o “Frescura”, e o empresário Ricardo José Rocamora, que mantinham empresas vencedoras de praticamente todas as licitações da prefeitura.

Para o Ministério Público se trata de “(…) esquema de investigação de corrupção incrustado na atividade administrativa do município de Sidrolândia, formada por uma organização criminosa constituída de agentes públicos e privados, destinada à obtenção de vantagens ilícitas decorrentes, principalmente, dos crimes de fraude ao caráter competitivo de numerosos processos licitatórios e desvio de dinheiro público diante da não prestação ou não entrega do produto contratado”.

Inicialmente, a investigação chegou até Ueverton da Silva, que exercia papel de gestão sobre diversas empresas que atuavam em licitações no município, em regra de fachada. Com os materiais compreendidos nas primeiras fases da operação, incluindo quebra de sigilo telemático, o Ministério Público concluiu que Claudinho Serra era o verdadeiro líder do esquema.

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