A reabilitação de qualidade após acidente vascular cerebral (AVC) minimiza os impactos físicos, emocionais, cognitivos e sociais de pacientes acometidos por essa condição. A Instituto Nacional de Excelência em Saúde e Cuidados (NICE) publicou sua primeira diretriz para reabilitação após AVC em 2013. Em outubro do ano passado, houve uma atualização dessas recomendações a partir das novas evidências disponíveis.

Recomendações para reabilitação pós-AVC

As recomendações expressas pela diretora foram fundamentadas em revisões sistemáticas com a melhor evidência nesse assunto, considerando também o custo-efetividade das ações. Em casos de poucas evidências disponíveis na literatura sobre determinada conduta, a recomendação foi baseada na experiência do grupo responsável pela elaboração do documento. As evidências foram interessadas com base no ranking GRADE.

→ Transferindo o cuidado para casa

Após alta hospitalar, é importante que o paciente acometido por AVC apresente um suporte de terapia multidisciplinar para interromper a reintegração à comunidade. Anteriormente, uma recomendação para suporte de terapia multidisciplinar precoce era recomendada para indivíduos selecionados; sendo que, agora, a partir de pesquisas qualitativas, foi demonstrado que o suporte de reabilitação após alta hospitalar é muitas vezes não oferecido para indivíduos que necessitam dessas terapias.

Como já mencionado, a reabilitação consiste em oferecer suporte para prática de tarefas diárias, para motricidade, para nutrição, para comunicação, entre outros. Diante disso, membros desse tempo de terapia multidisciplinar consistem em: médicos, fisioterapeutas, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, fonoaudiólogos, nutricionistas e psicólogos.

Após alta hospitalar, portanto, recomenda-se manutenção de reabilitação enquanto essa terapia auxiliar o paciente a atingir metas, seja em recuperação motora, sensorial, emocional, nutricional, entre outras.

→ Intensidade do programa de reabilitação

Evidências crescentes apontam que maiores doses e intensidade de terapias de reabilitação atualizadas para melhoria na função motora e nas medidas para independência funcional.

Quanto aos estudos de fisioterapia motora, foi oferecido que a fisioterapia intensa entre 1-2 horas diárias foi realizada em melhorias nas atividades diárias para pacientes com AVC (especialmente naqueles ainda dentro de 6 meses após o ictus vascular). Quanto à terapia ocupacional e fonoaudiológica, não houve evidências que possibilitassem determinar, de modo específico, a duração dessa intervenção.

Ainda assim, uma recomendação realizada pela direção seria o tempo total de terapia multidisciplinar (incluindo, portanto, fisioterapia, fonoaudiólogo e terapia ocupacional) em pelo menos 3 horas em pelo menos 5 dias por semana. Em casos de o paciente não desejar realizar essa intensidade de reabilitação, recomenda-se recomendar qualquer uma dessas terapias por pelo menos 5 dias por semana.

→ Fadiga

Sintomas de fadiga após AVC são comuns. Geralmente são autolimitantes (em torno de 1 ano), mas em 40% dos casos podem persistir por mais de dois anos. Uma nova recomendação do diretriz da NICE em 2023 foi realizada em consultas uma avaliação do sintoma de fadiga, tanto nos previstos iniciais do AVC como após 6 meses do ictus.

→ Rastreando distúrbios sensoriais

Há acidentes cerebrovasculares que interferem na visão e audição, de forma que, caso tais deficiências passem desapercebidas, isso pode afetar a qualidade de vida e prejudicar o engajamento com a reabilitação. Sendo assim, uma recomendação, atualmente considerada como forte, seria acessar o mais precoce possível problemas visuais a fim de evitar consequências prejudiciais graves (como quedas ou acidentes relacionados à direção de veículos) e rastrear dificuldades auditivas dentro de seis semanas.

→ Participação em programas da comunidade

Envolver os indivíduos acometidos com AVC em programas de participação na comunidade é também uma nova recomendação. Esses programas podem envolver atividades em grupo como exercícios físicos, arte e música. De acordo com as evidências, os pacientes envolvidos nesse tipo de programa apresentaram melhoria quanto à qualidade de vida e quanto a outros desfechos como bem-estar, redução de estresse psicológico, entre outros.

Veja também: Caso Clínico: AVC hemorrágico (AVCh) (vídeo)

Comentários finais

Essa diretriz reafirma a importância da reabilitação como integrante essencial no tratamento do paciente acometido por acidente cerebrovascular.

A Academia Brasileira de Neurologia possui publicação recente, de 2022, das diretrizes de reabilitação após AVC — segmentados em parte I e II — com orientações minuciosas para reabilitação a partir de sequelas desses pacientes, como: afasias, negligência visuoespacial, espasticidade, ataxias, entre outros.

Uma distinção entre essas duas diretrizes (NICE e ABN) é que a diretriz inglesa sugere rastreio para distúrbios sensoriais como audição e visão precocemente nesses indivíduos, além de aumentar a inserção dessa população em programas de participação na comunidade.

Em 2022, os Arquivos de Neuropsiquiatria, revista brasileira, publicam o protocolo do estudo multicêntrico AReA cujo objetivo é fornecer informações abrangentes sobre o acesso à reabilitação pós-AVC nos primeiros 6 meses após a alta hospitalar na rede pública. Os resultados dessa pesquisa serão essenciais no fornecimento de dados nacionais para otimização dos fluxos de reabilitação dessa população no nosso país.

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