Hermógenes Aparecido Mendes Filho está preso há 4 meses e Ronaldo Mendes Nunes segue foragido

Colchões com recortes na espuma encontrados no depósito no Rio, em dezembro (Foto: Reprodução)

Quatro meses após a deflagração da Operação Sanctus, o resultado das investigações da Polícia Federal sobre o envolvimento de dois irmãos empresários com o tráfico internacional de drogas ainda produz fatos interessantes sobre a atuação da organização criminosa.

Documentos obtidos com exclusividade pelo Notícias Campo Grande revelamos a estratégia do grupo para retirar a cocaína do Paraguai, transportar de forma segura até o Rio de Janeiro e de lá, despachar a droga para o exterior, principalmente para a Europa.

Dono de fazendas em Mato Grosso do Sul e Mato Grosso, sítio de alto padrão, mansões e empresas transportadoras, Hermógenes Aparecido Mendes Filho, 49, está preso desde 8 de dezembro, dado em que foi deflagrada a operação.

O irmão dele, Ronaldo Mendes Nunes, segue foragido. Segundo a PF, Ronaldo é proprietário de restaurantes de luxo em Dourados e Ponta Porã e de uma cobertura no centro de Pedro Juan Caballero.

No dia da operação, ele estava em território paraguaio e escapou do cerco da Senad (Secretaria Nacional Antidrogas), que tentou cumprir, a pedido da Polícia Federal, o mandado de prisão expedido pela 3ª Vara Federal em Criminal em Campo Grande. Segundo as investigações, ele teria recebido a proteção do deputado paraguaio Eulalio Gomez, o “Lalo”, do Partido Colorado.

Pneu de caminhão sendo cortado para retirada de cocaína (Foto: Reprodução)
Pneu de caminhão sendo cortado para retirada de cocaína (Foto: Reprodução)

Pneus – Uma investigação sobre o esquema começou após carregamentos de drogas enviados para São Paulo e Rio de Janeiro e de dinheiro em espécies transportadas na viagem de volta sendo apreendidos dentro dos pneus pela PRF (Polícia Rodoviária Federal).

A PF então trabalhou no caso e descobriu seguidas viagens de transportes da organização até Pedro Juan Caballero, no Paraguai, onde a cocaína estava escondida nos pneus.

A investigação mostrou inclusive a presença de Hermógenes Aparecido e da amante dele, a advogada Cristiane Maran Milgarefe da Costa, 28, nesse esconderijo no Paraguai onde a droga era colocada nos pneus.

Da fronteira, os caminhões seguiram para São Paulo e Rio de Janeiro. No dia em que a operação foi deflagrada para cumprir os mandatos de prisão dos irmãos Mendes e de outros membros da organização, um desses caminhões foi rastreado pela PF da fronteira até Maricá, na região metropolitana do Rio.

Em um barracão localizado na Rua das Camélias, esquina com a Rua das Margaridas, os policiais federais apreenderam o caminhão que havia saído de Pedro Juan Caballero. Dentro dos pneus, foram encontrados 160 quilos de cocaína.

O motorista Jair Marques Neto, 48, e seu ajudante Heitor de Oliveira Buss, 49, o “Techa”, foram presos em flagrante e seguem detidos no Rio de Janeiro.

Segundo a investigação, no barracão foram encontradas bolsas de colchões, sem marca aparente, contendo a inscrição “Para Exportação”. Dentro dos colchões havia placas de isopor com buracos de tamanho suficiente para esconder tabletes de cocaína. Ainda no barracão foram encontradas máquinas de costura, retalhos e acabamentos para costurar os colchões.

“Tal descoberta demonstra claramente que o grupo estava inovando no seu modus operandi para exportação do entorpecente com destino a outros países”, cita trecho da denúncia do MPF (Ministério Público Federal).

Réus – No início deste mês, a Justiça Federal aceitou a denúncia contra Aparecido, Ronaldo, Wuillhan Rojas, 38, o “Zóio”, capataz das fazendas de Aparecido em MT; Cristiane Maran Milgarefe da Costa; Markus Veríssimo de Souza, 25; Luan Yamashita Gonçalves, 33, Jair Marques Neto, 48, e o contador douradense Eduardo Faustino dos Santos, 51. Eles agora são réus por organização criminosa e lavagem de dinheiro.

Dos nove denunciados, o juiz federal Luiz Augusto Iamassaki Fiorentini excluiu Heitor de Oliveira Buss do processo. Com isso, ele segue respondendo apenas pela prisão em flagrante por tráfico no Rio de Janeiro.

O magistrado também rejeitou a denúncia de tráfico transnacional de drogas e associação para o tráfico relativamente ao flagrante ocorrido no Rio de Janeiro, conforme havia sido solicitado ao MPF. Segundo o juiz, a decisão é por “incompetência territorial” e “desnecessidade de unidade de processamento”.

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