Gabriel Galípolo, diretor do Banco Central, garantiu aos investidores que qualquer decisão sobre intervenção cambial precisaria de apoio total do conselho.

Em reuniões recentes, Galípolo enfatizou a importância do consenso antes de tomar medidas para lidar com a alta do dólar.

Essa abordagem reflete a estratégia de Galípolo de evitar pressões políticas, o que é fundamental, pois ele provavelmente se tornará presidente do Banco Central após o término do mandato de Roberto Campos Neto, em dezembro.

Galípolo enfrenta o desafio de equilibrar a demanda por ação do presidente Lula com as preocupações do mercado sobre a influência de Lula no Banco Central.

A alta de quase 11% do dólar neste ano fez dele a moeda de mercado emergente com pior desempenho, depois do peso argentino.

Galípolo sinaliza cautela sobre intervenção cambial em reuniões com investidores. (Foto reprodução internet)

Algum alívio veio na semana passada, quando Lula parou de comentar sobre a taxa de câmbio e o governo anunciou cortes de gastos.

As decisões de intervenção geralmente envolvem o diretor de política monetária e o presidente do Banco Central.

A taxa de câmbio flutuante é o regime, e o Banco Central deve intervir durante escassez de liquidez ou problemas de formação de preços. Durante anos, o presidente teve que aprovar qualquer ação.

No entanto, a pandemia deu autonomia ao diretor de política monetária para realizar operações de câmbio utilizando até 5% das reservas internacionais do Brasil, hoje em quase US$ 360 bilhões.

Essa autonomia permanece até hoje, embora limitada a 2,5% das reservas. Galípolo sinalizou que ainda buscaria consentimento de membros seniores do banco.

Posição do Banco Central em meio ao estresse do mercado

Publicamente, os membros do Banco Central atribuem o estresse do mercado ao “ruído de curto prazo”, apontando para incertezas fiscais e monetárias sem sugerir intervenção.

Lula, no entanto, alegou especulação anormal. O Banco Central não mantém meta cambial específica, mas a apreciação sustentada do dólar aumenta os custos de importação, pressionando a inflação.

Em casos de escassez de liquidez ou disfunção de mercado, o banco pode anunciar swaps cambiais ou comprar e vender dólares no mercado à vista.

As tensões entre Lula e o Banco Central podem aumentar depois que o Copom interrompeu um ciclo de flexibilização monetária de um ano sem sinalizar cortes nas taxas.

Galípolo votou para manter a taxa Selic em 10,5%, tendo anteriormente defendido um corte maior.

Os comerciantes antecipam potenciais aumentos nas taxas de juros devido à pressão do dólar, elevando as estimativas de inflação acima da meta de 3% do Banco Central.

A inflação persistente pode tornar inevitável outro ciclo de alta de juros. Em meio à depreciação do real, vender dólares pode tranquilizar investidores estrangeiros e encorajar entradas de capital.

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