O governador Romeu Zema, de Minas Gerais, fez hoje o discurso de abertura do Brazil Summit, uma conferência presencial realizada na cidade de Nova York, onde CEOs brasileiros e internacionais, altos funcionários do governo e financiadores fornecerão insights estratégicos sobre os principais setores de negócios, tendências de investimento e as mais recentes políticas e iniciativas corporativas para impulsionar o crescimento.

O Relatório Brasileiro é parceira apoiadora do evento.

Zema usou sua plataforma para atacar governos de esquerda anteriores no estado de Minas Gerais e no governo federal. Para uma multidão de investidores, Zema afirmou que seu estado conseguiu atrair R$ 409 bilhões (US$ 79,28 bilhões) “enquanto o governo que precedeu o meu cortou 200 mil empregos formais”.

Zema acredita que a sua agenda pró-mercado pode ser suficiente para encorajar o investimento privado no seu estado. “Em Minas Gerais, (os investidores) encontrarão um ambiente de negócios favorável”, promete. “Revogamos mais de 1.800 decretos que tornaram os negócios mais complexos.”

“Até sábado teremos boas notícias para dar”, acrescentou, referindo-se à possibilidade de fechar acordos de investimento enquanto estiver em Nova Iorque.

Apesar do otimismo do governador, a situação fiscal em Minas Gerais é assustadora, e tem sido assim há anos. O estado deverá terminar 2024 com o segundo maior défice dos 27 estados do Brasil (R$ 4,21 bilhões), e dois terços de sua receita serão vinculados à folha de pagamento e ao pagamento de dívidas, prejudicando a capacidade de investimento do estado.

“Ainda enfrentamos algumas dificuldades, mas nada comparado à situação anterior a 2018 (quando o senhor Zema venceu as eleições para governador)”, diz o governador. O Relatório Brasileiro. “Hoje somos um referencial da economia brasileira, aumentando nossa participação no PIB de 8,8 para 9,5%”, acrescenta.

Minas Gerais é a terceira maior economia estadual do Brasil, atrás de São Paulo e Rio de Janeiro. É também o maior produtor de commodities como minério de ferro e café. “De cada quatro xícaras de café consumidas no mundo, uma é produzida em Minas Gerais”, disse o governador.

O setor cafeeiro foi um dos primeiros no Brasil a adotar padrões voluntários de sustentabilidade, com cerca de um terço da área total cultivada coberta por certificação. Apenas 0,1% da desflorestação associada à produção de café está relacionada com a produção agrícola.

De acordo com um estudo recente do Instituto Internacional para Sustentabilidade (IIS) do Rio de Janeiro, a indústria cafeeira é a que tem maior probabilidade de cumprir as novas regras antidesmatamento aprovadas pela União Europeia no Brasil.

O Regulamento Antidesmatamento da União Europeia (EUDR) exige prova de desmatamento zero para produtos enviados para a UE, e espera-se que legislação semelhante seja implementada no Reino Unido em breve.

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) prevê uma colheita de café de mais de 58 milhões de sacas este ano, 5,5% a mais que no ano passado e abaixo apenas das safras de 2020 (63 milhões de sacas) e 2018 (61,6 milhões). A recuperação ocorre após dificuldades climáticas em 2021 e 2022, como escassez de água e geadas durante o ciclo agrícola do país.

A produção de minério de ferro, outra commodity importante de Minas Gerais, continua assombrada pelos dois piores desastres de mineração da história brasileira: a tragédia de Mariana em 2015 e o desastre de Brumadinho em 2019.

Os responsáveis ​​pelas tragédias ainda não foram responsabilizados e as vítimas de ambos os colapsos queixam-se da falta de indemnização adequada. No mês passado, a Vale ofereceu pagar R$ 127 bilhões (US$ 24,8 bilhões) em indenização às vítimas da tragédia de 2015, a fim de resolver o litígio.

Zema disse que seu governo apoia as negociações, mas reclama que as autoridades federais atrapalharam o acordo, buscando o acordo perfeito em vez de um acordo possível. “É melhor ter um acordo agora que nos ajude a construir cinco hospitais que irão beneficiar imediatamente a vida dos mineiros do que um acordo em 40 anos que irá construir 40 hospitais”, explicou.

Uma vez apontado como um potencial candidato para assumir o manto de extrema direita do ex-presidente Jair Bolsonaro nas eleições de 2026, Zema se perdeu um pouco, com a esposa de Bolsonaro, Michelle, e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, atualmente liderando o caminho como opções. para os conservadores do Brasil.

Dito isto, Zema não descartou uma candidatura à presidência dentro de dois anos.

“Quero continuar ajudando Minas Gerais ou o Brasil. Ainda não sei como, mas existem várias opções por aí”, afirma. “O que posso garantir é que nós, os governadores de direita (…) queremos apresentar um candidato que todos possamos apoiar, mas será uma decisão de grupo e nada foi definido ainda.”

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