O governo Luiz Inácio Lula da Silva cancelou na terça-feira um leilão de 6 de junho para a importação de 263,3 mil toneladas de arroz por R$ 1,3 bilhão, após surgirem vários indícios de irregularidades com os licitantes vencedores.

A medida é uma estratégia para evitar grandes aumentos de preços do produto depois que o estado do Rio Grande do Sul, no sul do Brasil, foi atingido por enchentes devastadoras. O estado fornece cerca de 70% do arroz consumido no Brasil, e as perdas na produção e nos estoques ainda estão sendo avaliadas.

De acordo com o último relatório de Atualização dos Preços do Arroz da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura, os preços do arroz aumentaram 10 por cento só no último mês e 30 por cento no último ano. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, a inflação do arroz foi superior a 25% nos 12 meses até abril.

O arroz será vendido pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) com preços rígidos.

No entanto, a Conab disse que alguns dos vencedores do leilão não conseguiram demonstrar experiência genuína na importação de arroz. Dos quatro vencedores, apenas um atua no setor de comércio exterior. Os outros são um vendedor de queijos, um fabricante de sucos e uma locadora de automóveis.

Além disso, três empresas com propostas vencedoras foram representadas por empresas pertencentes a um homem que trabalhou com Neri Geller, secretário de política agrícola do Brasil, levantando suspeitas de abuso de informação privilegiada. O filho do Sr. Geller também é sócio do ex-assessor do Sr. Geller em outras empresas.

Os legisladores da oposição começaram mesmo a recolher assinaturas para abrir uma comissão de audiências para investigar o leilão.

O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, anunciou que Geller apresentou sua renúncia após o escândalo estourar.

Os produtores brasileiros de arroz e a oposição de direita entraram com ações judiciais para impedir a realização do leilão. Um juiz de primeira instância entrou com pedido de liminar suspendendo o procedimento, mas um tribunal superior anulou a decisão. A bancada ruralista no Congresso comemorou o cancelamento do leilão —mesmo que o governo prometa um novo, com controles mais rígidos aos participantes.

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