O presidente francês, Emmanuel Macron, inicia na terça-feira uma visita ao Brasil na cidade amazônica de Belém, sede das negociações climáticas da ONU em 2025, onde ele e seu homólogo brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, tentarão reatar laços desgastados.

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Macron é o primeiro presidente francês a visitar Brasil em 11 anos e ele busca um novo começo após brigas com o ex-presidente JairBolsonaro sobre a destruição ambiental e os insultos dirigidos à sua esposa, Brigitte.

Françaa sétima maior economia do mundo, e o Brasil, a nona maior, são considerados atores-chave num cenário geopolítico marcado pela rivalidade entre a China e os Estados Unidos.

Paris vê Brasília como uma ponte para grandes economias emergentes, cujas vozes o Brasil está tentando amplificar através da sua presidência do G20 e da adesão ao BRICS+ grupo.

“Vivemos um momento franco-brasileiro”, afirmou o palácio presidencial do Eliseu, destacando “muitos pontos de convergência” com Lulaparticularmente em “grandes questões globais”.

“A França é um ator essencial e incontornável da política externa brasileira”, disse o chefe da assessoria brasileira diplomacia para a Europa, Maria Luisa Escorel de Moraes.

Chefe da Amazon será homenageado

Lula e Macron se encontrarão em Belém, no norte do Brasil, que em 2025 sediará as negociações climáticas COP30.

O desmatamento na Amazônia brasileira caiu pela metade em 2023 depois de crescer sob Bolsonaro, quando o governo Lula intensificou o policiamento ambiental.

A maior floresta tropical do mundo desempenha um papel fundamental na luta contra as alterações climáticas, absorvendo as emissões de dióxido de carbono.

Em Belém, Macron irá premiar o chefe tribal Raoni Metuktire com a Legião de Honra, a mais alta distinção francesa, pelo seu papel como “figura internacional na luta pela preservação da floresta amazónica e da cultura dos povos indígenas”, segundo o Presidência francesa.

Metuktire deixou sua casa na Amazônia há mais de 30 anos para viajar pelo mundo alertando sobre as ameaças representadas pela destruição da floresta tropical.


TÊTE A TÊTE © FRANÇA 24

Uma figura impressionante com a sua grande placa de madeira e o cocar de penas amarelas, ele levou a sua mensagem aos papas, à realeza e aos presidentes, com a sua estatura como ativista ambiental a aumentar com a crescente consciência da emergência climática.

Mercosul e Ucrânia

França e Brasil estão trabalhando juntos para fabricar quatro motores convencionais submarinossendo que o terceiro será lançado na quarta-feira pelos dois líderes na base naval de Itaguaí, perto Rio de Janeiro.

Brasília também poderia apelar a Paris para ajudá-la a desenvolver a propulsão nuclear num quinto submarino.

Depois, há os temas mais delicados, como o acordo de comércio livre, há muito paralisado, entre o União Europeia e da América do Sul Mercosul bloco, que recentemente enfrentou forte resistência por parte dos agricultores europeus.

Macron disse em janeiro que a França se opõe ao acordo porque “não obriga os agricultores e empresas do Mercosul a cumprir as mesmas regras que as nossas”.

Embora se espere que Lula reitere o seu apelo à rápida assinatura do acordo, tanto Paris como Brasília indicaram que as negociações de duas décadas não seriam o foco principal da viagem de Macron.

A guerra em Ucrâniaque Macron quer que seja um foco principal do G20é outro ponto de discórdia.

Lula, que se posicionou como um defensor do “Sul global”, insistiu que Kiev e Moscovo partilhem a responsabilidade pelo conflito e recusou-se a tomar posição contra a Rússia.

(AFP)

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