Operação para entregar narcotraficante à Argentina foi coordenada pelo Ministério da Justiça

Jorge Adalid Granier Ruiz, traficante mais procurado da Argentina quando foi preso com documentos falsos em MS (Foto: Paulo Francis/Arquivo)

Pego em Mato Grosso do Sul com documentos falsos, Jorge Adalid Granier Ruiz, narcotraficante mais procurado da Argentina, foi extraditado em operação realizada em absoluto sigilo. Assim como chegou, conhecido como “Fantasma” ou “Nono”, deixou o Estado sem “ninguém” ver.

O preso ocupou uma das celas da Penitenciária Estadual Masculina de Regime Fechado da Gameleira, conhecida como “Supermáxima”, em Campo Grande, por 225 dias, entre 30 de março e 10 de novembro do ano passado, conforme apurado pelo Notícias Campo Grande.

A transferência foi feita de forma tão sigilosa que mesmo após a entrega do preso ao governo argentino, o STF (Supremo Tribunal Federal) negou habeas corpus a Granier Ruiz. O advogado dele no Brasil, Haroldson Loureiro Zatorre, alegou que o cliente sofreu constrangimento ilegal por não ter condenações para cumprir atrás das notas no Brasil e por isso, mantê-lo preso, “seria medida irracional, violadora da dignidade humana”.

A ação coordenada pelo Ministério da Justiça, também conforme apuração da reportagem, aconteceu depois que o STF homologou o pedido de extradição de “Fantasma” e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) autorizou a entrega.

Na Argentina, Ruiz enfrentou a acusação de comandar o transporte de cocaína pelos ares. Dono de tripla nacionalidade, o homem, que ficou conhecido também como o “senhor dos céus do Mercosul”, sempre negou as acusações contra ele, sustentando não ter antecedentes criminosos em nenhum país, mas para a Justiça argentina sofreu perdas suficientes para torná-lo réu em processo que o acusado de manter frota de táxis aéreos que tinha como “passageiros” os carregamentos de entorpecentes, conforme apurado pelo jornal La Nación, que confirmou a chegada do preso à Argentina no começo de novembro de 2023.

“Esse grupo criminoso se dedicava ao transporte de cloridrato de cocaína da Bolívia e do Paraguai para a Argentina e cobrava uma comissão de aproximadamente US$ 300 mil por esse ‘serviço de táxi’”, afirmaram os promotores federais Diego Iglesias e Eduardo Villalba em parecer de processo contra Granier Ruiz.

“El Fantasma” está sendo processado, com prisão preventiva decretada, por tráfico agravado pelo número de pessoas envolvidas. Em decisão, dada em dezembro do ano passado, o juiz federal de Salta (cidade argentina), Julio Bavio, além de mandar obrigações com a ação judicial, determinou o bloqueio de 30 milhões de pesos em bens do réu – valor que se converteu em reais equivalem a R$ 176.350,98.

Um dos documentos falsos usados ​​por Ruiz (Foto: Paulo Francis/Arquivo)
Um dos documentos falsos usados ​​por Ruiz (Foto: Paulo Francis/Arquivo)

Uma prisão – Ruiz foi considerado foragido da Justiça argentina em fevereiro de 2022 e foi preso durante fiscalização de rotina da PRF (Polícia Rodoviária Federal), em 28 de março do ano passado. Abordado na BR-163, em Jaraguari, o homem acusado de ser “megatraficante” não estava armado ou portava drogas. Ele, porém, foi apresentado com nome falso, de Jorge Mendez Ardaya, boliviano que morreu em 2012. Policiais desconfiaram dos documentos e acabaram descobrindo que eram falsificados.

Segundo Granier, as identidades e o passaporte foram comprados em Belém do Pará por quase 6 mil dólares. Ele contou ainda aos policiais que a mudança na aparência o ajudou a transitar sem ser reconhecido. Como era obeso, se submeteu à cirurgia bariátrica e logo depois passou por lipoaspiração, procedimentos que o deixaram bem mais magro, modificando totalmente sua fisionomia.

Procurado pelo mundo – Boliviano de nascimento, mas dono de nacionalidades também argentina e paraguaia, Jorge Adalid Granier Ruiz era procurado pelo mundo todo desde abril de 2022, quando o nome dele entrou para a difusão vermelha da Interpol – ferramenta da Polícia Internacional para encontrar criminosos com finalidade específica de extradição -los – e recebeu a classificação de “perigoso”.

O apelido de “Fantasma” surgiu pela descrição. Até pouco tempoo rosto do homem não era conhecido, porque ele nunca aparecia nem em fotos.

Receba as principais notícias do Estado pelo Whats. Clique aqui para acessar o canal fazer Notícias Campo Grande e siga nossos redes sociais.

By admin

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *