As ações da Petrobras despencaram quase 6 por cento no mercado de ações brasileiro um dia após o anúncio abrupto da demissão do presidente-executivo Jean Paul Prates.

Nas primeiras horas após o sino, os preços das ações caíram cerca de 8,5%. Os American Depositary Receipts (títulos negociados na Bolsa de Valores de Nova York) da Petrobras também abriram o dia com queda de mais de 8%. Por cerca de meia hora, as negociações foram suspensas.

Prates caiu depois de perder uma batalha política com o Ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, e o Chefe da Casa Civil, Rui Costa – que querem mais controle do governo sobre a grande petrolífera estatal.

Prates tentou equilibrar as demandas do governo, do controlador da empresa e dos acionistas minoritários. Em maio de 2023, meses após assumir a empresa, Prates anunciou o fim da paridade internacional como principal fator na política de preços da empresa.

A mudança não só abriu espaço para cortes nos preços dos combustíveis, mas também para a empresa voltar a competir no refino, dado o impulso monopolista do governo Lula neste mercado – a empresa controla 84 por cento da capacidade de refino do país.

O primeiro corte nos preços dos combustíveis ocorreu em agosto, mas continua aquém do mercado internacional. Ainda assim, o governo queixa-se constantemente de que os combustíveis nas bombas não são suficientemente baratos.

Mais recentemente, divergências entre o governo e os acionistas em torno da política de distribuição de dividendos e dos investimentos da Petrobras contribuíram para a derrota do Sr. Prates.

Em março, o governo conseguiu que a diretoria aprovasse a não distribuição de dividendos extraordinários da empresa e a criação de um fundo de reserva, que cobriria possíveis perdas. No dia do anúncio da decisão, a empresa perdeu mais de R$ 55 bilhões em valor de mercado.

O Sr. Prates se opôs publicamente à retenção dos dividendos extraordinários e se absteve de uma votação na qual os conselheiros indicados pelo governo rejeitaram uma proposta para pagar os dividendos extraordinários que os acionistas minoritários esperavam.

Na época, Prates revelou que a decisão de não distribuição de dividendos foi “orientada” pelo governo. Em abril, após pressão dos acionistas e do mercado, o conselho da empresa revisou a decisão e aprovou a distribuição de cerca de R$ 22 bilhões (US$ 4,2 bilhões) em dividendos extraordinários relativos ao 4º trimestre de 2023 — cerca de metade do total.

Prates foi demitido na noite de terça-feira na presença de Silveira e do ministro das Relações Institucionais, Rui Costa, duas das figuras que mais representam o governo Lula. Sr. Prates interpretou o gesto como uma humilhação.

O governo nomeou Clarice Coppetti, diretora executiva de assuntos corporativos da Petrobras, para assumir interinamente a empresa. O governo Lula também nomeou Magda Chambriard, ex-presidente da Agência Nacional do Petróleo durante o governo Dilma Rousseff, para substituir Prates.

No entanto, seu nome ainda precisa passar pela devida diligência da empresa antes de ser aprovado pelo conselho.

Sra. Chambriard se reuniu com o Sr. Silveira na quarta-feira. Especialistas dizem que ela precisa trabalhar para recuperar a autonomia e a credibilidade da empresa, mas isso não faz parte dos planos do governo federal. Ela será a sexta presidente da empresa em seis anos, o que diz muito sobre o nível de interferência política na organização desde o antigo governo Jair Bolsonaro.

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