Na noite de terça-feira, a Petrobras (PETR4) anunciou que o presidente Jean Paul Prates solicitou a rescisão antecipada de seu mandato.

Prates, indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em janeiro de 2023, deixará o cargo de conselheiro assim que a rescisão for aprovada.

Semanas de pressão do governo Lula levaram à sua renúncia.

Os debates sobre os pagamentos extraordinários de dividendos da empresa e a sua utilização em políticas públicas alimentaram ainda mais as tensões.

O Ministério de Minas e Energia, esperando a renúncia de Prates, nomeou Magda Chambriard como nova CEO e conselheira.

Chambriard iniciou sua carreira na Petrobras em 1980 e liderou a ANP, reguladora de petróleo e gás do Brasil, de 2012 a 2016.

Ela emergiu como uma das principais candidatas ao cargo de CEO após a vitória de Lula nas eleições de 2022. Suas opiniões sobre a empresa se alinham estreitamente com as de Lula.

Pressão política força a saída da CEO da Petrobras – Magda Chambriard. (Foto reprodução na Internet)

A renúncia de Prates marca uma vitória para os membros do gabinete de Lula que pressionam por preços mais baixos dos combustíveis, dividendos menores e maiores gastos de capital.

Os críticos alertam que esta mudança de liderança pode prejudicar a governança da Petrobras.

Expressam preocupações de que Chambriard possa enfrentar pressão para expandir as despesas de capital, afectando potencialmente o pagamento de dividendos.

A diretoria da Petrobras discutirá a saída de Prates na quarta-feira.

Durante sua gestão, Prates entrou em confronto diversas vezes com o ministro de Energia, Alexandre Silveira.

Silveira criticou a Petrobras por não baixar o suficiente os preços dos combustíveis ou impulsionar os investimentos econômicos.

As críticas de Silveira ecoaram as expectativas de Lula de que a Petrobras contribua mais para a economia do país.

As tensões atingiram o pico em março, quando o conselho da Petrobras, em grande parte nomeado por Silveira, desafiou Prates ao reter um esperado dividendo extra.

Esta decisão impactou significativamente as ações da empresa.

Após o anúncio da demissão de Prates, as ações da Petrobras negociadas em Nova York caíram mais de 6% no pregão fora do horário comercial.

A saída de Prates e a nomeação de Chambriard sinalizam uma mudança estratégica para a Petrobras.

Intervencionismo Estatal

O terceiro mandato presidencial de Luiz Inácio Lula da Silva marca uma mudança decisiva na direção económica do Brasil, com uma ênfase pronunciada na intervenção governamental.

Esta estratégia impactou grandes corporações como a Petrobras e a Vale, suscitando preocupações sobre a desaceleração do investimento e o crescimento económico do Brasil.

A administração Lula pretende remodelar o cenário económico através do questionamento da autonomia do Banco Central, de reformas laborais e da privatização da Eletrobras.

Surgem debates sobre o controlo estatal versus liberdade de mercado, levantando preocupações sobre a confiança dos investidores e a estabilidade do mercado.

Os críticos alertam que o maior envolvimento do governo pode dissuadir o investimento e evocar crises económicas passadas devido ao aumento da incerteza.

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