O senador Rogério Carvalho apresentou na quarta-feira seu projeto de relatório final ao comitê seleto do Senado criado para investigar práticas abusivas de mineração de sal por parte da Braskem, a maior empresa petroquímica da América Latina. O relatório será colocado em votação na próxima semana.

O relatório, de 765 páginas, sugere que as autoridades policiais investiguem o atual vice-presidente executivo da Braskem, Marcelo Cerqueira, e outras sete pessoas anteriormente ligadas à Braskem, por crimes ambientais. Cerqueira falou ao inquérito na terça-feira, quando afirmou que a empresa respeitou os limites de extração.

A minuta do relatório final diz que a Braskem realizou mineração “predatória” de sal na cidade de Maceió, no nordeste do Brasil, e que a própria empresa deveria ser investigada por explorar ilegalmente recursos federais, bem como pelos crimes ambientais de poluição, extração de minerais sem licença e construir ou reformar uma instalação potencialmente poluente sem a licença exigida.

Carvalho acrescentou que a Braskem mentiu às autoridades.

“Concluímos que a Braskem (…) estava ciente da possibilidade de subsidência do solo e ainda assim decidiu deliberadamente correr o risco de explorar as cavernas além de sua capacidade segura de produção. Além disso, para manter a continuidade e o ritmo da extração de sal-gema, inseriu informações falsas em documentos públicos, omitiu dados essenciais de relatórios técnicos e manipulou órgãos de fiscalização. Como se não bastassem esses crimes, (a Braskem) deixou de informar as autoridades e de adotar medidas de segurança que poderiam ter evitado o afundamento do terreno e a evacuação de cinco bairros de Maceió.”

O relatório também aponta o dedo para inspetores e outros funcionários da Agência Nacional de Mineração (ANM) e do Ministério de Minas e Energia por não cumprirem seu trabalho, mas não chega a solicitar uma investigação policial, argumentando que seriam necessárias mais evidências para isso.

Segundo Carvalho, o comportamento da Braskem “só poderia ocorrer porque os órgãos reguladores não cumpriram seu dever de fiscalização”. As licenças foram concedidas “com base em relatórios fornecidos ou encomendados pela própria empresa, sem qualquer verificação”, escreveu. As autoridades “negligenciaram dados” que indicavam subsidência do solo no início dos anos 2000, quando a Braskem iniciou a mineração na região.

A mineração de sal da Braskem em Maceió levou ao maior desastre ambiental urbano da história do Brasil. Especialistas estimam que mais de 60 mil pessoas foram forçadas a deixar suas casas e empresas desde 2018.

Como O Relatório Brasileirot mostrou em uma investigação aprofundada premiada em 2021, a mineração de sal da Braskem desestabilizou cavernas subterrâneas sob bairros de Maceió, levando ao desabamento de casas e até de grandes prédios de apartamentos.

O comitê seleto do Senado teve um primeiro desenvolvimento significativo em abril, quando um representante da Braskem admitiu pela primeira vez a responsabilidade da empresa pelo desastre geológico. O diretor da Braskem, Marcelo Arantes, disse aos senadores que a empresa “é a culpada por esse processo e nós assumimos a responsabilidade por isso”. O senhor Arantes não está incluído no relatório como um dos responsáveis ​​pelo desastre.

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