Samsung quer melhorar sua saúde com IA e vestíveis, mas pode cobrar por isso
Samsung quer melhorar sua saúde com IA e vestíveis, mas pode cobrar por isso

Durante o evento Galaxy Unpacked tivemos o anúncio de vários novos produtos, incluindo smartphones dobráveis, relógios inteligentes, fones de ouvido Bluetooth e até o Galaxy Ring, primeiro anel inteligente da Samsung. Além dos lançamentos, a marca também aproveitou a ocasião para fazer rodadas de entrevistas com executivos para explicar suas ideias sobre Inteligência Artificial e saúde, e como vê um futuro mais conectado que auxilie os usuários no autocuidado.

Em uma roundtable sobre “Health AI”, que nada mais é do que a forma como a Samsung vem atualizando a suíte Health com funções de Inteligência Artificial, o Vice-Presidente e Chefe da Equipe de Saúde Digital de Mobile eXperience Business na Samsung Electronics, Hon Pak, deu mais detalhes sobre a visão da empresa, e respondeu perguntas dos jornalistas sobre a criação de planos pagos para uso do Galaxy Ring, preocupação de uso de um ecossistema aberto e muito mais.

Hon Pak trabalha com saúde há mais de 30 anos. Na Samsung, ele supervisiona soluções inovadoras que melhorem a saúde, especialmente no que diz respeito a tecnologias móveis e sua conexão com o ecossistema mais amplo.

A importância dos vestíveis no autocuidado



Pak abriu a conversa falando sobre as dificuldades do mercado atual de saúde, que conta com muita fragmentação nos acompanhamentos, preços estratosféricos e problemas para que os usuários consigam saber de fato como anda sua saúde de maneira mais prática e intuitiva. E a missão da Samsung seria justamente tornar o sistema melhor.

“Eu acho que precisa de um pouco de disrupção. O sistema em si não é equitativo, é fragmentado, não é a experiência que queremos que as pessoas tenham. Então esperamos que nossa presença, com os nossos dispositivos que as pessoas possuem, que bilhões de pessoas possam melhorar seu cuidado com a saúde. É a nossa missão.” — Hon Pak, Vice-Presidente e Chefe da Equipe de Saúde Digital em Mobile eXperience Business na Samsung Electronics

Ele ainda aponta que muitos equipamentos médicos são complicados de serem configurados, e isso faz os usuários perderem tempo ou mesmo desistirem de fazer o acompanhamento por conta própria, dependendo de agendas com profissionais de saúde e mais gastos por algo que poderia ser feito por eles mesmos. E é justamente com isso que a expansão no portfólio da Samsung quer ajudar.

Com a missão de tornar o cuidado com a saúde mais integrado e conectado, os avanços em funções e dispositivos buscam auxiliar o novo momento do sistema de saúde, que migra cada vez mais do cuidado em hospitais e clínicas para a casa das pessoas, especialmente conforme elas envelhecem.

“Quando falamos em cuidado conectado, nós falamos em três coisas: conectar pessoas umas às outras, saúde é um esporte coletivo e não individual; conectar dispositivos, e não apenas os nossos dispositivos e dados mas também de outros ecossistemas, tornando os dados disponíveis para todos; e conectar serviços, indo além de identificar problemas de saúde mas também sendo capaz de encontrar soluções para eles.” — Hon Pak, Vice-Presidente e Chefe da Equipe de Saúde Digital em Mobile eXperience Business na Samsung Electronics

Claro que isso tudo demanda um avanço tecnológico para que os dispositivos pessoais sejam capaz de entregar a eficiência necessária em uma área tão crítica quanto a da saúde, e é por isso que temos novos sensores tanto nas linhas Galaxy Watch 7 e Galaxy Watch Ultra quanto no Galaxy Ring, bem como novas funções de IA no Samsung Health para lidar com os dados coletados pelos dispositivos.

Com isso os usuários são capazes de entender muito além do momento em que se consultam com um médico em um hospital, podendo perceber como seu corpo se comporta no dia a dia, em tempo real, durante longos períodos, o que dá um panorama geral da saúde muito mais preciso do que as consultas anuais de check-up que normalmente fazemos.



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Como funciona o leitor de AGEs



Uma das grandes novidades do novo sensor BioActive presente nos Galaxy Watch 7 e Galaxy Watch Ultra é a chegada do leitor de AGEs no sangue, e Pak comentou um pouco mais sobre seu funcionamento e como isso se diferencia de um medidor de glicose, algo muito pedido por diabéticos.

Segundo ele, o medidor de glicose atua de forma imediata, com base naquela medição momentânea do nível de açúcar no sangue — que pode ser por patches ou amostras de sangue coletadas. Já os AGEs não são medidos diretamente no sangue, e sim na pele do usuário, o que dá uma visão mais de médio a longo prazo sobre a atuação do açúcar no organismo.

De forma resumida, os AGEs te dão uma visão mais ampla, com algo entre 3 a 6 meses da atuação da glicose no corpo, enquanto os exames de sangue entregam uma janela de 2 a 3 meses. Com isso, não é possível detectar variações diárias nos níveis de açúcar no sangue, porém é possível gerar um panorama geral das tendências para definir se o usuário pode estar caminhando para ficar diabético — e o melhor, sem exames invasivos, apenas usando o relógio.

“Quando as pessoas pensam “eu posso medir a minha glicose?” elas pensam nos aparelhos tradicionais de exame de sangue, com agulhas e plaquetas. Não, você não consegue saber seu nível de glicose do momento exato em que está. Não é assim que isso funciona. É como ir a um hospital e fazer um hemograma detalhado para saber como seu nível de glicose esteve nos últimos dois a três meses e ver a média disso, mas aqui fazemos ainda mais, indo de três a seis meses por medir direto na pele. Então não, não recomendamos o uso para medir o dia a dia do seu nível de glicose.” — Hon Pak, Vice-Presidente e Chefe da Equipe de Saúde Digital em Mobile eXperience Business na Samsung Electronics

Com isso, a ideia do novo sensor presente é dar um panorama para usuários sedentários ou com hábitos alimentares ruins de como está a tendência a desenvolver diabetes, tendo com base o nível de glicose encontrada na pele, e assim permitir que mudanças sejam feitas para evitar que a tendência se confirme.



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Galaxy Watch e Ring juntos para monitoramento mais preciso



O Galaxy Ring é visto por muitos como uma alternativa ao Galaxy Watch — e mesmo à Galaxy Fit —, por se tratar de uma forma ainda menos invasiva de acompanhar exercícios físicos e medir parâmetros importantes como batimentos cardíacos e qualidade do sono. Segundo Pak, porém, o anel da Samsung vai muito além disso, podendo trabalhar em conjunto com os demais vestíveis da marca para gerar dados ainda mais completos sobre a saúde e bem-estar dos usuários.

O Galaxy Ring tem os mesmos sensores verde, vermelho e infravermelho do Galaxy Watch, com o mesmo nível de precisão, então realmente dá uma escolha aos usuários que não desejam usar um relógio. Seu design permite que os sensores tenham um ótimo contato com a pele enquanto permanece confortável, algo único,

Os novos sensores presentes em ambos os produtos trabalham em conjunto com algoritmos atualizados e otimizados por Aprendizado de Máquina, o que permitiu um avanço considerável na precisão da medição de batimentos cardíacos e outros fatores do corpo, especialmente em momentos de grande contraste como quando alguém está em repouso e inicia uma atividade física mais intensa, voltando novamente ao estado de repouso pouco tempo depois.

“Nós dizemos que eles trabalham melhores juntos. Não queremos ser uma companhia de anéis, nem uma companhia de relógios, queremos ser uma companhia que entrega uma experiência, e saúde é uma parte significativa dessa experiência. Acreditamos que a sinergia quando você usa ambos em conjunto é significativa. Se o seu relógio ficar frouxo ou você tirá-lo por algum motivo ao longo do dia, por exemplo, o anel será capaz de cobrir essa lacuna de forma bastante precisa. E as informações combinadas de ambos se complementam para aprimorar a precisão. Por outro lado, damos ao consumidor uma escolha, ele pode escolher usar um ou outro, ou os dois, é ele quem decide.” — Hon Pak, Vice-Presidente e Chefe da Equipe de Saúde Digital em Mobile eXperience Business na Samsung Electronics

Pontuação de energia ajuda a te preparar para o dia



O executivo aproveitou para falar um pouco também sobre a Pontuação de Energia, uma grande novidade dos novos vestíveis da Samsung que chega graças ao Samsung Health otimizado por IA. Com ele você conseguirá ter uma prévia logo ao acordar sobre como deve ser seu nível de energia ao longo do dia, tendo como base a qualidade do seu sono, variações de batimentos cardíacos, temperatura, e muito mais.

Para além da energia física, ele também será capaz de detectar desgaste mental de acordo com seus níveis de estresse, o que te ajudará a se preparar para o dia e buscar formas de melhorar a sua qualidade de vida, identificando gatilhos que podem ter atrapalhado sua pontuação.

“A nova Pontuação de Energia compila vários tipos de dados dos usuários nos últimos sete dias para determinar como estará seu nível de energia ao acordar, preparando-o para um dia mais movimentado ou mais calmo de acordo com a qualidade do sono, as atividades físicas do dia anterior, a temperatura da pele e até a alimentação do usuário, caso essa informação tenha sido disponibilizada. E isso vale tanto para o estado físico quanto mental.” — Hon Pak, Vice-Presidente e Chefe da Equipe de Saúde Digital em Mobile eXperience Business na Samsung Electronics

Vale notar, porém, que os vestíveis não são certificados para atestar condições de saúde mental, como depressão ou crises de ansiedade, algo que a Samsung aponta que “ficará para outra linha de produtos no próximo ano”. A pontuação de energia apenas indica um índice de acordo com seus dados anteriores, identificando momentos de estresse, frequência cardíaca, qualidade de sono e outros fatores para apontar problemas gerais na sua performance ao longo do dia.

Uma parte muito importante destacada por Pak foi o sono REM, comprovadamente relacionado com o estado emocional. Caso você tenha uma quantidade baixa de sono REM durante a noite, a probabilidade de ter um dia seguinte emocionalmente ruim é bem grande.

“O que fizemos com a Pontuação de Energia foi realizar testes cognitivos durante a manhã seguinte que definem o quão desperto você está, para ter algo mais concreto e não ficar dependente de algo tão subjetivo, conseguindo correlacionar com as pontuações para deixar tudo bem balanceado. Não dá para cravar que a pontuação será 100% exata, mas com base nos testes e análises científicas que fizemos, acredito que tudo seja sim bem preciso.” — Hon Pak, Vice-Presidente e Chefe da Equipe de Saúde Digital em Mobile eXperience Business na Samsung Electronics



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Ecossistema de saúde aberto



Pak falou ainda sobre a preocupação da Samsung em ampliar o cuidado com a saúde, muito além do seu próprio ecossistema. Segundo a marca, parceiras estão sendo procuradas nas mais variadas áreas, tanto de saúde em si quanto de pesquisa ou mesmo fundações que possam ajudar a divulgar as preocupações com o sistema de saúde e fomentar discussões sobre como melhorar a experiência para todos.

“Mesmo uma empresa do tamanho da Samsung não é capaz de solucionar todos os problemas relacionados ao sistema de saúde. É um trabalho conjunto. Precisamos de um ecossistema grande e robusto, com parceiros que inovam, como o MIT, com quem trabalhamos em modelos que nos ajudam a medir melhor como dormimos, por exemplo. Queremos ir além de só dizer o problema, e sim disponibilizar o contato com quem pode trazer a solução para esses problemas, usando os dados coletados para agilizar e aumentar a precisão do processo.” — Hon Pak, Vice-Presidente e Chefe da Equipe de Saúde Digital em Mobile eXperience Business na Samsung Electronics

Ele ainda reforçou a parceria com o Google no Health Connect, uma iniciativa que compartilha dados com apps de terceiros — com permissão do usuário, claro. Com isso, a infraestrutura já existe para um compartilhamento facilitado dos dados coletados pelos vestíveis da Samsung com uma enorme gama de aplicativos, e resta apenas definir como e quando novos dados como a Pontuação de Energia serão disponibilizados para serviços de terceiros.

Sobre uso de softwares da Samsung com produtos de outras marcas — como o Oura Ring —, Pak aponta que é muito mais do que apenas portar um software e usar em um hardware diferente. A ideia da Samsung é compartilhar os dados, mas dependendo do que se trata terá que ser feito por meio de um licenciamento, e não por uma plataforma de código aberto.

Galaxy Ring terá assinatura paga?



Perguntado sobre a chegada de uma assinatura paga ao Galaxy Ring, em moldes similares ao que temos no Oura Ring, Hon Pak foi enfático, afirmando que o produto foi lançado com uso totalmente gratuito e as funções já entregues no dia do lançamento permanecerão sem um custo adicional. O executivo, por outro lado, aponta que mais opções podem ser disponibilizadas no futuro com um valor de assinatura agregado, incluindo acesso a apps exclusivos ou mesmo consultas virtuais com médicos.

“Nós pensamos em várias opções, claro, sobre como disponibilizar o Galaxy Ring como ou sem uma assinatura paga. Nós pensamos que, neste momento, com as funções que temos disponíveis, ele deve ser totalmente gratuito, bastando comprar o produto e usá-lo. Em algum momento no futuro, conforme adicionemos mais funcionalidades que sejam mais específicas, talvez aí sim cheguemos em um ponto que valha a pena pagar por algum opcional. Ainda estamos estudando isso, podemos disponibilizar médicos virtuais, acesso a outros apps que usem os dados coletados, e por aí vai. Mas não vamos voltar atrás e dizer que funções que já são entregues gratuitamente passarão a ser pagas.” — Hon Pak, Vice-Presidente e Chefe da Equipe de Saúde Digital em Mobile eXperience Business na Samsung Electronics

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