Nas ruas da Capital, o preço dos diversos meios de locomoção são fatores que pesam na rotina

Aplicativos de transporte estão entre os recursos mais usados ​​na Capital (Foto: Antônio Bispo)

Nas ruas de Campo Grande ou que não faltam são exemplos de meios de transporte. Mas afinal, quanto se locomover pela cidade pesa no bolso no durante um mês? Para a professora Natália Felix, de 33 anos, o translado entre a casa e o trabalho custa em torno de 25% da renda. São de R$ 850 a R$ 1.050, em média, gastos em 30 dias. Segundo ela, o valor não inclui transporte para outros fins. Para tentar diminuir o impacto no orçamento ela intercala com o uso de ônibus.

“Grande parte da minha renda hoje em dia é gasta com transporte. Impactando bastante no meu orçamento. Até porque, pelo valor, tenho que intercalar aplicativo com o ônibus. Eu peguei no mínimo dois carros por dia, mas se realmente fosse só usar esse meio de transporte, em dias como o de hoje, faria quatro viagens, sendo que duas delas já dariam quase 50 reais”.

Sem CNH (Carteira Nacional de Habilitação), ela chegou a tentar usar bicicleta elétrica para chegar até o trabalho. O jeito de se locomover mudou após perceber que o veículo, segundo ela, é tão inseguro quanto uma motocicleta. “Depois de uns anos eu comecei a ficar com medo pq ela era rápida o suficiente pra eu me machucar tão sério quanto em um acidente de moto, mas não tem os recursos de segurança que a moto tem”.

Agora ela estuda tirar a habilitação. Para ela, usar os aplicativos de transporte se tornou impraticável. “O que acho que piora a minha situação específica é que dou aula em escolas que não tem como chegar de ônibus sem gastar duas horas, mas muitos colegas já usam o ele (carros de aplicativos) para se locomover”.

Matheus Rezende gats, em média, R$ 600,00 com transporte (Foto: Marcos Maluf)
Matheus Rezende gats, em média, R$ 600,00 com transporte (Foto: Marcos Maluf)

Matheus Rezende, de 32 anos, usa os carros de plicativo duas vezes por semana, paga na corrida de R$ 15,00 a R$ 18,00, o valor corresponde, em média, a R$ 120,00 por semana, no mês o montante salta para R$ 480,00, 30% da renda mensal. Além disso. Matheus também intercala a locomoção com o uso do transporte público o que dá quase R$20,00 por dia, se não for feita a integração entre as linhas.

“Isso compromete porque é muito caro. Uso ônibus e pago as passagens, hoje tô gastando quatro passes por dia. Eu fiz um cálculo outro dia devo gastar em cerca de R$ 600,00 com transporte. É dinheiro. Com esse valor posso comprar em comida e até viajar se economizar dinheiro”.

Ana Beatriz Braz Ramos, de 21 anos, é bolsista de grupos de iniciação científica na faculdade. Ela conta que quem gasta mais com transporte é a mãe, mas que é descontado dos 6% do salário, que corresponde a um pouco mais de um salário mínimo (R$ 1.412).

Ana Beatriz é estudante e gasta quase R$ 225,00 por mês para se locomover (Foto: Marcos Maluf)
Ana Beatriz é estudante e gasta quase R$ 225,00 por mês para se locomover (Foto: Marcos Maluf)

Ana ganha R$ 700,00 com a bolsa e usa o ônibus para chegar até a fisioterapia duas vezes na semana. “Esses eu pago. Eu devo gastar uns R$14,00 por dia, quatro vezes por semana. Por mês isso dá quase R$ 225,00 de ônibus. Pesa quanto estudante. “Acho que compromete muito a renda, porque juntando dá muito”.

Atualmente, o vale transporte de ônibus custa R$ 4,75 em Campo Grande, para alguém que ganha um salário mínimo, e desconta em folha o benefício, o gasto é de R$ 84,00 por mês para se locomover. Em uma situação hipotética, alguém que não usa o vale transporte, mas esporadicamente pega ônibus cinco vezes por semana (ida e volta) gasta, em média, R$ 190,00.

O comerciante João Braga e Silva, de 42 anos, comenta que se locomove com carro próprio e gasta pouco mais de R$ 450,00 com transporte por mês, apenas indo trabalhar.

“Agora só uso álcool porque é mais barato que a gasolina, mas ainda assim é um gasto alto para minha renda, que não chega a três períodos mínimos. Mas preciso do carro para conseguir vir ao centro comprar as coisas que preciso. Não tenho traje de andar com aplicativos nem de ônibus”

A empregada doméstica Valdineia Debete, de 40 anos, deixou de pegar ônibus para investir em uma bicicleta elétrica. Para ela o motivo foi o custo e o tempo de trajetória. Sem revelar o valor que gasta, ela conta que apenas troca a bateria uma vez ao ano e que o montante é pequeno para alguém que ganha menos de dois períodos mínimos.

Valdineia Debete usa bicicleta elétrica para ir até o serviço (Foto: Marcos Maluf)
Valdineia Debete usa bicicleta elétrica para ir até o serviço (Foto: Marcos Maluf)

Como fazer para economizar? Márcio Coutinho, economista, explica que são diversas realidades e que não existe uma receita pronta para economizar. Entretanto, compartilhamos algumas dicas para quem deseja reduzir o impacto do transporte no bolso.

“Quem tem carro pode compartilhar a trajetória, talvez seria uma saída. Outra é de repente fazer rodízio, tentar mudar isso, se você puder ir a pé. Tem que ter criatividade para tentar encontrar uma maneira de economizar. É difícil você sair de uma situação onde já tem um certo conforto para mudar totalmente. É complexo. Se usar ônibus, será que vale a pena andar a pé, será que tenha condições, seja bem delicado e difícil de ser tomado”.

Entre as medidas possíveis para quem vai trabalhar com carros de aplicativos o “macete” é se programar. Descubra quanto e gastos com o transporte por mês, o que influencia a pegar o meio de locomoção; em seguida organizar as idas e as boas-vindas, pesquisando as tarifas e os horários com menor valor. Também é válido encontrar caronas e combinar diferentes modalidades de transporte.

O economista ressalta que Campo Grande segue tendência nacional quanto ao gasto com transporte. Ele se baseia em pesquisas do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) onde usa o cálculo do IPCA (Índice de preços ao consumidor), que são os hábitos de consumo em diversos itens, como alimentação e transporte.

“O que a gente percebe tanto no Brasil quanto em Campo Grande, o peso em relação ao que as pessoas consomem são semelhantes. Nos três primeiros meses de 2024, de acordo com o IBGE, a nível Brasil, a média de 20,7% é com transporte, em Campo Grande o percentual é de 21,6%. ou seja, de tudo o que uma pessoa gasta, esse valor está relacionado ao transporte”

IPCA- Em abril, o setor de transportes ajudou a puxar o IPCA na Capital. Os combustíveis e o consumo de automóveis levam o grupo ao aumento de 0,32%. Conforme o IBGE, o número foi influenciado pelo item combustíveis, que aumentou 0,57%, e teve influência direta dos subitens gasolina (0,46%) e do etanol (5,8%).

Também trouxeram o grupo para cima dos subitens de automóveis, que subiram 1,03%, e ônibus intermunicipais (4,01%).

*Colaborou Antonio Bispo

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