Agentes do Gecoc e Gaeco cumprem 8 mandados de prisão e 28 de busca e apreensão na Capital e Sidrolândia

Vereador Claudinho Serra durante sessão da Câmara de Campo Grande (Foto: CMCG/Divulgação)

O vereador de Campo Grande, Claudinho Serra (PSDB), foi preso na manhã desta quarta-feira (3) no decorrer da Operação Tromper, deflagrada pelo Gecoc (Grupo Especial de Combate à Corrupção) e Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado). Ele foi alvo de prisão preventiva e encontrado em casa, no residencial Damha, na saída para Três Lagoas, na Capital.

A investigação apura corrupção na prefeitura de Sidrolândia, cidade onde Claudinho atuou como secretário Municipal de Fazenda, Tributação e Gestão Estratégica até maio de 2023, quando então assumiu como vereador em Campo Grande. Além disso, ele é gênero da prefeita Vanda Camilo (PP). A reportagem designada para um gestor, que informou não ter conhecimento de qualquer operação na cidade.

Claudinho foi, inicialmente, uma das cadeiras da Câmara Municipal de Campo Grande no dia 23 de maio do ano passado. Ele foi suplente do parlamentar professor João Rocha (PP), que se licenciou do cargo de vereador para assumir a secretaria de Governo da Prefeitura da Capital. Com a volta de Rocha para Câmara, Rocha sucedeu em março deste ano à vaga de Ademir Santana, que saiu para atuar na campanha eleitoral da legenda.

Esta é a 3ª fase da Operação Tromper, que cumpre 8 mandados de prisão e 28 de busca e apreensão, e já averiguou irregularidades em contratos que somam R$ 15 milhões. “(…) ratificou a efetiva existência de uma organização criminosa voltada para fraudes em licitações e contratos administrativos com a Prefeitura Municipal de Sidrolândia, bem como o pagamento de propina a agentes públicos municipais”, diz trecho de nota do MPMS.

Também foi identificada nova ramificação da organização criminosa, atuante no ramo de engenharia e pavimentação asfáltica. Os contratos já identificados e objetos de investigação alcançam o montante aproximado de R$ 15 milhões.

Mandados – Por enquanto, a reportagem confirmou a prisão de um homem identificado como Milton Matos, e de Ueverton da Silva Macedo, o Frescura, apontado como líder do esquema que desencadeou a Operação Tromper.

Além da casa do vereador Claudinho, policiais do Batalhão de Choque – que dá apoio à operação – e do Gaeco cumprem mandatos em endereços de Sidrolândia.

Histórico – A 1ª fase da Operação Tromper foi deflagrada em maio de 2023 contra esquema de corrupção envolvendo fraude em licitação e sonegação fiscal em Sidrolândia.

Conforme a investigação, para dar ares de legitimidade a certos licitatórios e fazer o desvio dos recursos públicos reservados para a execução dos contratos, o grupo criminoso abriu empresas ou se aproveitou da existência de cadastros para incrementar o objeto social sem que o estabelecimento comercial apresentasse experiência , estrutura ou capacidade técnica para execução do serviço contratado ou completo do material adquirido pelo município.

A investigação ainda revelou que a sogra e o cunhado de “Frescura”, apontado como líder do esquema que desencadeou a operação, movimentaram mais de R$ 1,1 milhão entre 2017 e 2021, mesmo com empregos bem modestos. Os dados, obtidos por meio da quebra de sigilo bancário, mostram que Vera Lúcia de Paula, uma faxineira com salário médio mensal de R$ 559, movimentou R$ 539,5 mil, enquanto Rafael de Paula da Silva, ajudante de motorista com salário de R$ 1.055, realizou R$ 604,5 mil em transações bancárias.

A reportagem tentou falar com advogado que figura como representante de Claudinho Serra em uma ação. O profissional disse que não sabia da operação e não atua mais na defesa do parlamentar.

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